Marcha da família com Deus pela liberdade: parece remédio, mas não é.

05/06/2013 08:13
 
    "Manifestação pacífica em Brasília: em defesa da liberdade de expressão, liberdade religiosa, da família tradicional e da vida. "

    Para começo de conversa, a frase-título não é minha. Além disso, não é um convite para mais uma parada.

    Já falei sobre a Marcha POR Jesus, para quem não ainda não leu, convido a fazê-lo em http://migre.me/eSyNo. Não se passaram muitos dias, e somos contemplados hoje, 05/06, com mais uma marcha.

    Em um pais democrático, onde, por vários anos, ir as ruas e expressar sua opinião era algo proibido, parece que reações como estas são benéficas. Tal como o conhecido produto para remoção de caspas, parece, mas não é. A aglomeração de milhares de pessoas esperadas hoje em Brasília, não reproduz de fato, as melhores intenções, sobretudo, as intenções do Evangelho de Cristo.

    Tal como uma outra marcha da família, já realizada em solo brasileiro, os problemas desta marcha começam pelas motivações. Se as motivações são indignas, os resultados serão indignos. Assim como na outra marcha as motivações estavam relacionadas com questões políticas, esta segue o mesmo curso. Assim como a plateia da outra marcha reproduzia sem pensar o grito do "se não, não!" ao discurso do sr. Auro Soares de Moura Andrade, presidente do Congresso Nacional à época, milhares de pessoas gritarão outros gritos, reproduzindo sem pensar a fala de seus líderes religiosos, que se auto-reproduzem também sem pensar, e o que é pior, sem estar dispostos a dialogar.

    Muitos dirão que liberdade de expressão, liberdade religiosa, pela família tradicional e pela vida, são de fato motivações dígnas. Eu poderia concordar se não enxergasse nisso tudo a legítima motivação: Eleições em 2014.

    É importante salientar que ao falar de liberdade de expressão é preciso ter a clara percepção de que não somente eu, mas todos podem e devem se expressar. Sinceramente, o que vejo é a clara intenção de alguns grupos religiosos querendo se expressar por meio de um poder coercitivo maligno, travestido de interesse piedoso.

    Não podemos esquecer que ao desejar liberdade religiosa, estamos de fato dizendo que todas as religiões e manifestações com o sagrado devem ser respeitadas como manifestações legítimas de quem as abraça. O que se vê, na grande realidade evangelicalista brasileira, é uma total reprovação daquilo que não é do contexto da sua fé. Isso é opressão religiosa e não liberdade religiosa. Alias, se é religioso, já não é coisa muito boa.

    Ao se falar da família tradicional, não podemos perder de vista que muitas dessas famílias tradicionais condenam seus filhos tradicionais quando sabem por exemplo que eles usam drogas, são portadores de HIV, ou simplesmente nem conseguem chegar a esta fase da vida, e em uma atitude "tradicional" abandonam seus filhos a própria sorte em latas de lixo, ou quando são menos mesquinhos, em orfanatos.

    Sobre a vida, outro ponto de discussão na marcha que parece, mas não é, não devemos ficar no discurso de que o direito a vida está somente relacionado com não se permitir o aborto. Milhares de crianças são escravizadas no brasil, e mesmo estando vivas, não tem direito à vida normal da sua faixa etária. Outros milhares morrem de fome, porque seus pais não tem como comprar alimentos, enquanto os participantes da marcha que parece, mas não é, insensatos e alheios a essa realidade, farão seus lanches nos fast-foods, jogando no lixo aquilo que não lhes comportar mais seus estômagos.

    Hipocrisia é a palavra que resume esta e outras marchas.

    Prefiro seguir o modelo daquele que marchou em direção a cruz, não convidou ninguém para ir com ele, mas deixou um legado de abnegação e de fato fez total diferença na mudança da realidade do mundo.

 

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